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Esquemas Iniciais desadaptativos x Teoria do Apego

Esquemas Iniciais desadaptativos x Teoria do Apego

 Esquemas Iniciais Desadaptativos (EIDs) e Teoria do Apego de Bowlby

Dra Edna Paciência Vietta

Os Esquemas Iniciais Desadaptativos (EIDs) são padrões emocionais e cognitivos responsáveis por processos de funcionamento da personalidade, definidos como crenças e sentimentos tomados como verdades sobre si e sobre o mundo (Young, Klosko, & Weishaar, 2008). São estruturas estáveis e duradouras que se desenvolvem durante a infância do indivíduo, e se perpetuam durante toda sua vida, mediando a relação deste sujeito com o que o cerca e afetando a forma pela qual ele percebe a si mesmo, o mundo e os outros.

O conceito de Esquemas Iniciais Desadaptativos (EID’S) foi elaborado por Jeffrey Young em seu modelo de terapia focada em esquemas que teve como forte influência a teoria do apego de John Bowlby.

Como surgem os Esquemas? Todos nós temos em nossa natureza 5 necessidades básicas e universais que precisam ser satisfeitas. Quando essas necessidades não são atendidas de maneira adequada, na infância, dão origem aos esquemas desadaptativos. Para Soygüt et al., os esquemas, geralmente, se desenvolvem a partir das primeiras experiências com as figuras parentais e, na maioria das vezes, são causados pela vivência de experiências traumáticas que se repetem com alguma regularidade no decorrer da vida e que impossibilitam a satisfação de necessidades emocionais essenciais do ser humano, entre elas, o vínculo seguro com outras pessoas, incluindo proteção, estabilidade e segurança; autonomia, competência e senso de identidade; liberdade para expressar necessidades e emoções; espontaneidade e diversão; limites precisos e autocontrole. Dessa forma, os esquemas encontram-se vinculados a diversos transtornos mentais.

Young acredita que os Esquemas Iniciais Disfuncionais originam-se pela combinação de fatores biológicos e temperamentais com os estilos parentais e as influências sociais às quais a criança é exposta. Uma criança de temperamento tímido pode estar mais predisposta a apresentar um esquema de isolamento social, e outra biologicamente hiper-reativa à ansiedade pode ter mais dificuldade de superar a dependência em direção à autonomia.

Jeffrey Young (2003) identificou 18 Esquemas Iniciais Desadaptativos, que são agrupados em cinco amplos domínios de esquema.

Young, Klosko e Weishaar (2008) postularam 18 Esquemas Iniciais Desadaptativos que são distribuídos em cinco domínios: Desconexão e Rejeição; Autonomia e Desempenho Prejudicados; Limites Prejudicados; Direcionamento Para o Outro; Supervigilância e Inibição.

1) Desconexão e rejeição: Diz respeito ao sentimento de frustração vivenciado pela pessoa com relação às expectativas de segurança, estabilidade, carinho, empatia, compartilhamento de sentimentos, aceitação e consideração. O questionário de Young avalia cinco esquemas que estão vinculados a esse grupo - privação emocional, abandono, desconfiança/abuso, isolamento social e defectividade/vergonha.

2) Autonomia e desempenho prejudicados: Esquema Inicial Desadaptativo (EID), que configura sentimentos de incapacidade experimentados pelo indivíduo no que tange à possibilidade de se separar dos demais, conquistando a autonomia necessária para sobreviver de forma independente e com bom desempenho (os esquemas são fracasso, dependência/incompetência, vulnerabilidade a dores e doenças, emaranhamento).

3) Limites prejudicados: EID possível de ser identificado pela deficiência nos limites internos, pela ausência de responsabilidade com os demais e/ou pela dificuldade de orientação para a concretização de objetivos distantes. Caracteriza prejuízos com relação a respeitar os direitos dos outros, a cooperar e a se comprometer com metas ou desafios. Os esquemas associados a esse domínio são os de merecimento e autocontrole/autodisciplina insuficientes.

4) Orientação para o outro: Trata-se de um esquema que, quando presente, ocasiona um foco excessivo para os desejos e sentimentos dos outros por causa da constante busca de obtenção de amor. Muitas vezes, a pessoa suplanta suas próprias necessidades com o intuito de obter aprovação, podendo suprimir sua consciência, sentimentos e inclinações naturais. Os esquemas de subjugação e autossacrifício compõem esse grupo.

5) Supervigilância e inibição: Refere-se ao bloqueio da felicidade, autoexpressão, relaxamento, relacionamentos íntimos e ao comprometimento da própria saúde devido à ênfase excessiva na supressão dos sentimentos, dos impulsos e das escolhas pessoais espontâneas. Regras e expectativas rígidas internalizadas sobre desempenho e comportamento ético geralmente integram esse EID4. Inibição emocional e padrões inflexíveis são os dois esquemas que integram este domínio.

As ideias propostas por John Bowlby (1982) e Mary Ainsworth (2015) em meados do século XX a partir de observações e análises das relações entre cuidadores e bebês teve um papel fundamental para a construção do conceito de Esquemas Iniciais Desadaptativos. Bowlby (1982) percebeu que os laços afetivos construídos nos primeiros meses de vida possuem caráter estrutural na maneira com que o indivíduo se relacionará com outras pessoas posteriormente. Com o acúmulo dessas experiências tenras com a figura de apego, que vão desde a satisfação da necessidade de alimento e conforto até a necessidade de vínculo com outro ser humano, a criança cria modelos de segurança (“base segura”) que irão guiar a sua experiência com o mundo (BOWLBY, 2002). De acordo com J. Bowlby (1989), as experiências precoces com o cuidador primário iniciam o que depois se generalizará nas expectativas sobre si mesmo, dos outros e do mundo em geral, com implicações importantes na personalidade em desenvolvimento. Em outras palavras, a criança constrói um modelo representacional interno de si mesma, dependendo de como foi cuidada. Mais tarde, em sua vida, esse modelo internalizado permite à criança, quando o sentimento é de segurança em relação aos cuidadores, acreditar em si própria, tornar-se independente e explorar sua liberdade. Desse modo, cada indivíduo forma um "projeto" interno a partir das primeiras experiências com as figuras de apego. Embora essas representações tenham sua origem cedo no desenvolvimento, elas continuam em uma lenta evolução, sob o domínio sutil das experiências relacionadas ao apego da infância. A imagem interna, instaurada com os cuidadores primários, é considerada a base para todos os relacionamentos íntimos futuros. Por outro lado os modelos funcionais internos correspondem aos estilos de relação estabelecidos pelos pais no cuidado com as crianças, que por sua vez refletem a percepção desses pais sobre os cuidados que receberam na infância.

Ainsworth et al. (2015) realizaram uma investigação a partir do teste da “Situação Estranha” aplicado em diversas crianças de origens socioculturais variadas em ambiente controlado. O teste se passa em uma sala que é monitorada e filmada pelo pesquisador que fica em uma sala ao lado. Posteriormente, são cumpridos os seguintes passos: mãe e criança entram na sala; a pessoa estranha entra na sala; a mãe sai e a criança é deixada com a pessoa estranha; a mãe retorna à sala e a pessoa estranha sai; a mãe sai e a criança é deixada sozinha na sala; a pessoa estranha retorna; por fim, a mãe retorna à sala e a pessoa estranha sai. Os pesquisadores identificaram três modelos de apego. O apego seguro, que é quando a criança se sente segura para explorar o ambiente, voltando-se para a figura de apego quando se sente ameaçada. Também foi observado o apego ansioso-ambivalente, quando a criança apresenta ansiedade a partir do momento que é afastada da figura de apego, não explora o ambiente e alterna momentos de raiva, não aproximação e de procura da mãe. Por último, o modelo de apego evitativo, identificado quando os pais representam mais risco do que segurança para a criança, fazendo com que esta fique indiferente, afastada da figura de apego, sem procurá-la quando esta sai da sala ou retorna. Dessa forma, observa-se que o estilo de apego desenvolvido se torna base das reações das crianças observadas. Essas representações observadas foram denominadas por Bowlby (1982) de modelo funcional de self. As interpretações e expectativas que fazemos acerca dos nossos contextos são mediadas por esses modelos funcionais e influenciam o que sentimos. Após estabelecidos os modelos passam a funcionar de forma inconsciente, e tendem a se perpetuar tornando-se rígidos, sobretudo em indivíduos com apego ansioso. Ressalta-se que em crianças que desenvolvem um apego seguro esses modelos atualizam-se mais facilmente caso venham a ser tratadas de forma diferente por seus cuidadores. Os modelos funcionais internos correspondem aos estilos de relação estabelecidos pelos pais no cuidado com as crianças, que por sua vez refletem a percepção desses pais sobre os cuidados que receberam na infância. A partir desses modelos de relação desenvolvidos nos primeiros anos de vida, onde incluem-se as expectativas de respostas de cuidados dos pais, o indivíduo irá organizar as suas experiências, bem como as suas percepções sobre si mesmo e sobre o seu relacionamento com a figura de apego. desse modo a criança , tomará esse modelo relacional como referência para os seus comportamentos de apego na vida adulta. Pode-se afirmar também, que “Os padrões de interação se transmitem, mais ou menos fielmente, de geração para geração, porque - sob todos os aspectos referidos - as crianças tendem, involuntariamente, a identificar-se com os pais e, portanto, a adotar para com seus filhos, quando se tornam pais, os mesmos padrões de que tiveram experiência na infância, (JOHN BOWLBY, 2009).

A teoria do apego de Bowlby (2002) traz essa relação quando explicita que a qualidade de apego criada entre os cuidadores e os bebês é o modelo (modelo funcional de self) que será usado pela criança como base de seus comportamentos e exploração do mundo. Quando o apego é ansioso-ambivalente ou evitativo os padrões comportamentais observados correspondem à qualidade do vínculo estabelecida entre a criança e os cuidadores, ou seja, comportamentos desadaptados estão relacionados à presença de um apego não seguro. Assim, padrões de comportamentos adquiridos nas interações ocorridas na infância podem refletir em relações disfuncionais futuras interferindo em sua funcionalidade dificultando o processo de adaptação ao meio e ao contexto, sendo causa, geradora de sofrimento ou prejuízo social e emocional (APA, 2013).

Segundo YOUNG; KLOSKO; WEISHAAR,( 2008), as pessoas que desenvolvem esquemas iniciais desadaptativos têm menos capacidade para resolver problemas de forma positiva, lidam pior com obstáculos na vida e têm conceitos autoderrotistas (YOUNG; KLOSKO; WEISHAAR, 2008. Para Young (2003), esses padrões de comportamentos se faz necessários para explicar o processo de formação dos esquemas iniciais desadaptativos, uma vez que esses tem sua gênese nesse período do desenvolvimento infantil, ressaltado por Bowlby (2002) em suas pesquisas sobre o apego. Em outras palavras, os esquemas disfuncionais desadaptativos teriam origem nas experiências desagradáveis durante a infância ou na adolescência, se perpetuando ao longo da vida do indivíduo e estariam na base dos transtornos de personalidade. Tais esquemas são temas e padrões difusos, amplos, constituídos por memórias, pensamentos, emoções e sensações corporais que tem relação a si próprio ou às relações interpessoais e são significativamente disfuncionais (YOUNG; KLOSKO; WEISHAAR, 2008).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AINSWORTH, M. D. S. et al. Patterns of attachment: a psychological study of the strange situation. New York: Routledge, 2015.

BRETHERTON,I. & MUNHOLLAND, K. (1999) Internal working models in attachment relationships: A construct revisited. In: CASSIDY, J. & SHAVER, P. (Orgs.). Handbook of attachment: Theory, research and clinical applications. London: The Guildford Press. pp. 89-114.

BOWLBY, J. Formação e rompimento dos laços afetivos. São Paulo: Martins Fontes, 1982.

BOWLBY, J. Apego e perda, Vol 1. Apego: a natureza do vínculo. São Paulo: Soygüt G, Karaosmanoğlu A, Çakir Z. Assessment of early maladaptive schemas: a psychometric study of the Turkish young schema questionnaire-short form-3. Turk Psikiyatri Derg. 2009;20(1):75-84. Martins Fontes, 2002.

YOUNG, J. E. Terapia cognitiva para transtornos de personalidade: uma abordagem focada em esquemas. 3.ed. Porto Alegre: Artmed, 2003 John Bowlby (1982) e Mary Ainsworth (2015)

YOUNG, J. E.; KLOSKO, J. S.; WEISHAAR, M. E. Terapia do esquema: guia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras. Porto Alegre: Artmed, 2008.